segunda-feira, 30 de março de 2009
Férias!
quarta-feira, 18 de março de 2009
Ratoeira
"Está a ver setôra, não caí na ratoeira." O bebé do 6º ano estava contente porque tinha acertado no exercício.
segunda-feira, 9 de março de 2009
terça-feira, 3 de março de 2009
Um hectómetro quadrado
Estava na biblioteca. Uma colega trouxe uma turma dela, uns bebés do quinto ou do sexto ano sentaram-se à volta de várias mesas. Como uma abelhinha, a colega ia de mesa em mesa. Saindo da biblioteca detive-me e cumprimentei alguns bebezinhos. Calhou reparar no livro de matemática deles e vi uma igualdade: 1 ha = 1 hm^2 (um hectare igual a um hectómetro quadrado). Fiquei completamete perdido. Um hectómetro quadrado?! O que é isso?! Só muito mais tarde é que me lembrei que um hectómetro iguala 100 metros e portanto um hectómetro quadrado corresponde aos 10.000 metros quadrados de um hectare.
"Que belo apartamento. Muita luz, uma boa área. Deve ter mais ou menos... deixa pensar... um e meio decâmetros quadrados". Será que os nossos alunos ficarão a falar assim?!
"Que belo apartamento. Muita luz, uma boa área. Deve ter mais ou menos... deixa pensar... um e meio decâmetros quadrados". Será que os nossos alunos ficarão a falar assim?!
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Conclusão carnavalesca
Além de um tipo poder pôr uma cabeleira loira e uns artefactos no peito, e fingir que está a fingir ser o que não é, o carnaval é um verdadeiro Natal para o funcionalismo público: segunda-feira ninguém trabalha e na terça é "feriado".
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Alice Vieira em entrevista
(...)
A escola pública está a perder qualidade?
Há um desinteresse, um cansaço e depois há o problema da formação. Não quero generalizar, mas esta gente mais nova... Qual é a preparação que tem? Converso com professores e é um susto, desde a língua portuguesa, tratada de uma maneira desgraçada, até ao desconhecimento dos autores. Sabem muito de eduquês, mas passar além disso é difícil. Muitos professores têm uma formação muito, muito, muito deficiente. Não só falam mal como se queixam diante dos miúdos. A responsabilização dos professores é fraca, eles não são muito seguros e os alunos sentem-no.
É por isso que há atitudes de indisciplina e violência?
As manifestações dos miúdos também me perturbam, porque não sabem o que andam ali a fazer. Eles devem é aprender a falar bem, para saber reclamar, reivindicar.
Nesse caso a culpa não é da escola...
Também é. Os professores queixam-se que têm de ser pai, mãe, assistente social, educadores... Pois têm! Porque a vida dos miúdos é na escola. Em casa não lhes dão as mínimas noções de educação, o simples "obrigada, se faz favor, desculpe". Mas quando os alunos vêem os professores na rua, a berrar e a gritar, o que é que pensam?
Não concorda com o uso das novas tecnologias?
Estamos a queimar etapas, a atirar computadores para o colo de miúdos quando não sabem ler nem escrever. Só devia chegar quando tivessem o domínio da língua e da escrita. Os mais velhos não sabem utilizar a Internet, não sabem pesquisar. Copiam e assinam por baixo. O professor tem que ensinar a pesquisar. Às vezes estou a falar e tenho a sensação nítida de que os alunos não estão a perceber nada do que estou a dizer.
Essa sensação é generalizada?
No geral, as crianças têm muitas, muitas dificuldades. E os professores, logo à partida, têm medo que os alunos se cansem e nem tentam. "O quê? Dar isso? Eles não gostam, cansam-se". Há medo de cansar os meninos. Desde 1974 que os alunos têm sido muito cobaias do ministério. Aconteceu uma coisa terrível na Educação: tudo tem de ser divertido, tudo tem de ser lúdico, nada pode dar trabalho. Não pode ser.
É preciso mudar a mensagem?
Quando vou às escolas, esforço-me por transmitir aos alunos que as coisas dão trabalho, mas os próprios professores passam a mensagem de não querer ter trabalho. Quando vou ao estrangeiro, vejo os professores e penso: "Se fosse em Portugal, não era assim". Fazem o que for preciso. Cá dizem que não é da sua competência. A educação é daquelas matérias em que, se calhar, são precisas medidas impopulares. Nunca houve um ministro de quem se diga: "Fez".
Mais disciplina?
Mais autoridade, o professor não tem autoridade nenhuma. A solução passa por mais interesse e mais disciplina. O professor tem que sentir gosto pelo que faz e transmiti-lo. Não é uma profissão como as outras e não é seguramente a de preencher impressos. (...)
Entrevista de Alice Vieira, realizada por Bárbara Wong, "Aconteceu uma coisa terrível na Educação: tudo tem de ser divertido, nada pode dar trabalho", jornal Público, 19 de Janeiro de 2009, p. 3.
A escola pública está a perder qualidade?
Há um desinteresse, um cansaço e depois há o problema da formação. Não quero generalizar, mas esta gente mais nova... Qual é a preparação que tem? Converso com professores e é um susto, desde a língua portuguesa, tratada de uma maneira desgraçada, até ao desconhecimento dos autores. Sabem muito de eduquês, mas passar além disso é difícil. Muitos professores têm uma formação muito, muito, muito deficiente. Não só falam mal como se queixam diante dos miúdos. A responsabilização dos professores é fraca, eles não são muito seguros e os alunos sentem-no.
É por isso que há atitudes de indisciplina e violência?
As manifestações dos miúdos também me perturbam, porque não sabem o que andam ali a fazer. Eles devem é aprender a falar bem, para saber reclamar, reivindicar.
Nesse caso a culpa não é da escola...
Também é. Os professores queixam-se que têm de ser pai, mãe, assistente social, educadores... Pois têm! Porque a vida dos miúdos é na escola. Em casa não lhes dão as mínimas noções de educação, o simples "obrigada, se faz favor, desculpe". Mas quando os alunos vêem os professores na rua, a berrar e a gritar, o que é que pensam?
Não concorda com o uso das novas tecnologias?
Estamos a queimar etapas, a atirar computadores para o colo de miúdos quando não sabem ler nem escrever. Só devia chegar quando tivessem o domínio da língua e da escrita. Os mais velhos não sabem utilizar a Internet, não sabem pesquisar. Copiam e assinam por baixo. O professor tem que ensinar a pesquisar. Às vezes estou a falar e tenho a sensação nítida de que os alunos não estão a perceber nada do que estou a dizer.
Essa sensação é generalizada?
No geral, as crianças têm muitas, muitas dificuldades. E os professores, logo à partida, têm medo que os alunos se cansem e nem tentam. "O quê? Dar isso? Eles não gostam, cansam-se". Há medo de cansar os meninos. Desde 1974 que os alunos têm sido muito cobaias do ministério. Aconteceu uma coisa terrível na Educação: tudo tem de ser divertido, tudo tem de ser lúdico, nada pode dar trabalho. Não pode ser.
É preciso mudar a mensagem?
Quando vou às escolas, esforço-me por transmitir aos alunos que as coisas dão trabalho, mas os próprios professores passam a mensagem de não querer ter trabalho. Quando vou ao estrangeiro, vejo os professores e penso: "Se fosse em Portugal, não era assim". Fazem o que for preciso. Cá dizem que não é da sua competência. A educação é daquelas matérias em que, se calhar, são precisas medidas impopulares. Nunca houve um ministro de quem se diga: "Fez".
Mais disciplina?
Mais autoridade, o professor não tem autoridade nenhuma. A solução passa por mais interesse e mais disciplina. O professor tem que sentir gosto pelo que faz e transmiti-lo. Não é uma profissão como as outras e não é seguramente a de preencher impressos. (...)
Entrevista de Alice Vieira, realizada por Bárbara Wong, "Aconteceu uma coisa terrível na Educação: tudo tem de ser divertido, nada pode dar trabalho", jornal Público, 19 de Janeiro de 2009, p. 3.
Armadilhas da avaliação
Acabo de ouvir uma entrevista na France Culture a Maya Beauvallet, economista e autora de As Estratégias absurdas - como piorar pensando que se melhora. Partindo de 12 histórias Beauvallet mostra que a avaliação do desempenho pode ter consequências desastrosas, originando uma pioria dos resultados. Uma das histórias relata um caso de gestão hospitalar nos Estados Unidos. Depois de ter sido estudada a mortalidade no bloco operatório do coração foram estabelecidos limites mensais para os óbitos durante as operações. Os médicos "melhoraram" os seus desempenhos, respeitando os limites, mas aumentou o número de doentes que morriam à espera de operação... A autora indica que estudos empíricos têm revelado um efeito perverso das avaliações, baseadas em análises comparativas: a redução da cooperação. Para conseguir uma avaliação melhor, diminuo a colaboração que dou a colegas... e os resultados gerais diminuem. No final da entrevista um jornalista pergunta "On fait quoi docteur?". Beauvallet observa que o gestor tem de analisar o que se passa efectivamente no terreno, estudando o funcionamento da organização. A avaliação do desempenho não é fácil.
sábado, 17 de janeiro de 2009
Uma dúvida capital...
Fará sentido um Professor Contratado fazer greve na 2ª feira, sendo que já entregou os seus Objectivos Individuais ao Conselho Executivo?
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Honey!
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Forte e feio!
Leram a revista Sábado da semana passada? É altamente corrosiva para os professores. Acho que não há link disponível. Basicamente é argumentado que os professores não combatem a indisciplina, estando dispostos a condutas indignas dos alunos. Os professores não querem é que esse estado de coisas seja do conhecimento geral, e por isso pretendem uma "tolerância zero" para os telemóveis. As imagens são o inimigo dos professores, e não a ausência de disciplina dos meninos...
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
A Internet sucks!
Nalguns momentinhos de "socialização" os alunos estão na sala de aula e gozam de acesso livre a computadores com ligação à Internet. O que observamos nessas alturas?
As meninas entram no Youtube para ouvir música, os rapazes vêm palhaçadas no Youtube, há um ou outro adepto do Googlearth, mas sobretudo os rapazes jogam - são disparados milhares de tiros contra terroristas. A Internet não é consultada.
A Internet faz-me pensar numa enciclopédia popular e de acesso muito simples - basta clicar para encontrar inúmeras páginas sobre inúmeros temas. Mas quando penso na minha própria escolaridade longe dos computadores e da Internet, lembro-me que raramente utilizei enciclopédias. Lembro-me de um trabalho que fiz no Secundário em que as utilizei. Mas pouco mais. Ou seja, não é de estranhar que um aluno normalíssimo não tenha o reflexo de procurar informação on-line tendo, isso sim, uma visão lúdica da coisa: jogos, música, palhaçadas.
O enlevo pela Internet relativamente à educação dos meninos do básico e do secundário é disparatado. O software pedagógico será sempre mais aborrecido do que executar terroristas ou ouvir música. O computador é lúdico e não é um professor numa sala com 25 ou 28 meninos que vai contrariar a ideia. Os alunos "sabem" mais de computadores do que o professor e ninguém o vai ouvir. Associo sempre o óptimismo ministerial pelos computadores à crítica de Manuel Castells: os governantes elegem os computadores para encher os olhos dos cidadãos porque é muito mais barato e fácil do que resolver os verdadeiros problemas da educação, da saúde, da justiça,...
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
A turma...
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
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